Um novo modelo de administração

A modernização dos municípios brasileiros, visando à eficiência na gestão, arrecadação e gastos municipais, além de ser interesse público deve passar, também, pela ampliação da utilização de geotecnologias. Isso permitirá visualizar as necessidades onde elas ocorrem, sistematizando o processo de planejamento, onde, o gestor público terá condições de fazer uma análise integrada das informações nas diversas áreas de sua administração, podendo inter-relacioná-las.

As geotecnologias são o conjunto de tecnologias para a coleta, processamento, análise e disponibilização de informação com referência geográfica. Podem ser utilizadas em diversas áreas da administração pública com o apoio de diversas técnicas, como: Geoprocessamento: é o processamento dos dados obtidos com referências geográficas para serem utilizados por sistemas específicos de tratamento de informações espaciais; Sensoriamento Remoto: coleta de dados digitais (imagem), à distância, por um sensor; Aerofotogrametria: levantamento de dados de áreas e seu mapeamento físico-geográfico por meio de fotos aéreas do local; Sistema de posicionamento por satélite: coleta de dados por satélite, através de GPS (Global Positioning System) para obtenção de pontos geográficos relacionados ao objeto, com precisão de valores; SIG ou GIS (Geographic Information System): é o sistema de gerenciamento de dados gráficos e alfanuméricos georreferenciados associado a um banco de dados digital com a finalidade de produzir análises espaciais como instrumento a gestão urbana.

Dentre as várias aplicações de geotecnologias, destaca-se a sistematização dos processos de planejamento, aumentando a eficiência e transparência da gestão administrativa, territorial e da prestação de serviços públicos. Além disso, usa-se as geotecnologias para a construção e manutenção de dados que vai desde a geração da base cartográfica, passando pela criação da cidade virtual até o serviço de informação municipal disponibilizado ao cidadão, via internet.

Várias cidades já utilizam as geotecnologias em apoio à gestão urbana. Belo Horizonte utiliza no combate a criminalidade. Porto Alegre, para o gerenciamento administrativo e territorial. Aracaju faz o georreferenciamento de informações cadastrais e ainda gera a representação tridimensional da cidade. No estado de São Paulo, várias cidades utilizam geotecnologias para levantamentos ambientais, saneamento básico e transporte público, por exemplo.

A implantação e implementação de geotecnologias necessitam de uma mudança de cultura na gestão pública, demandando vontade política, recursos financeiros permanentes e difusão das geotecnologias em todos os setores do planejamento público. É necessário entender essas técnicas como ferramentas que possibilitam maior eficiência das ações e menor tempo de resposta na busca das informações, tornando os processos de gestão e planejamento atualizados, continuados e eficientes.

As geotecnologias podem ser utilizadas na área de planejamento urbano na cidade de Araguari/MG, concentrando informações de todos os setores da cidade que servirão de suporte a proposição de novas diretrizes quando da revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (2004) que será feita em 2013. Com a utilização de geotecnologias teremos subsídios para tomada de decisões em todas as áreas, principalmente, no parcelamento, uso e ocupação do solo; zoneamento urbano; transporte coletivo; sistema viário; geração da base cartográfica do município; zoneamento rural; segurança pública; educação; saúde; patrimônio cultural; saneamento básico; etc.

O custo da implantação de ferramentas de geotecnologias, principalmente de um sistema de informações georreferenciadas em um município, é baixo em relação aos inúmeros benefícios gerados em sua aplicação prática e possibilidades de inter-relacionamento das diversas áreas da gestão urbana.

Vislumbram-se novos tempos e uma esperança ressurge com um novo modelo de administração. Oxalá que neste modelo esteja inserido o sistema de informações georreferenciadas para dotar a cidade de instrumentos capazes de estabelecer o planejamento sob os princípios do dinamismo, eficiência e transparência com a utilização de informações georreferenciadas para a elaboração de projetos e execução de ações públicas baseadas nas diretrizes estabelecidas pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano.

Artigo publicado em 03/12/2008 na edição do Jornal Gazeta do Triângulo - Ano 72 - n° 7671- p.02. Opinião.

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