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sábado, 25 de junho de 2011

Uma cidade doente

Algum tempo venho observando alguns especialista publicarem artigos sobre saúde pública. O foco é sempre o mesmo: a consequência.

A causa dos graves problemas da saúde pública, independente do grau de desenvolvimento econômico de uma nação, nasce, no meio urbano, com o próprio desenho urbano das cidades.

Culturalmente aqueles que tem direito a infraestrutura urbana são aqueles onde a valor da terra é maior, ou seja, próximo dos "centros". Esta parcela da população é, exatamente, os que podem pagar por uma saúde privada de qualidade, e o reflexo urbano em sua saúde é minimo.

Quanto menor o poder aquisitivo familiar, mais distante do "centro" (onde o valor da terra é menor) ou das oportunidades de infraestrutura urbana, estes indivíduos são "jogados". O reflexo urbano incide diretamente em todos os níveis de sua saúde, seja física ou psicológica.

O critério de segregar a população pelo desenho urbano ou pelas políticas de desenvolvimento urbano é a principal causa da falência das politicas públicas com relação a saúde, educação e a segurança publica.

O desafio do Estatuto da Cidade, dos Planos Diretores de Desenvolvimento Urbano e do Novo Urbanismo é exatamente mudar a forma de pensar e agir dos gestores públicos induzindo a inserção de todos os atores sociais num ambiente urbano com todas as oportunidades.

Araguari, por exemplo, viverá um grande problema urbano com a adoção da segregação de uma grande parte da população (de baixa renda) em loteamentos longínquos do "centro", adoção de bolsões de água pluvial em áreas verdes no lugar de galerias pluviais, dificuldades na mobilidade e circulação urbana, enfim, o uso da cidade, nestas condições, fica restrita apenas às classes mais abastadas.

Enquanto o desenho urbano das cidades estiver doente, a saúde pública estará na UTI.

Saúde pública passa pelo crivo do planejamento urbano.

Uma vez uma cidade desordenada fisicamente, a saúde dos seus munícipes não terá qualidade.

Há vários pontos a serem observados para que a saúde das pessoas possa estar preservada, não necessariamente nesta sequência:

- Emprego (auto-estima);
- Educação (equilíbrio);
- Mobilidade e Acessibilidade (liberdade);
- Saneamento Básico (respeito);
- Lazer e Entretenimento (prazer);
- Praça e Área Verde (convivência);
- Segurança (felicidade);
- Cultura (amor-próprio);
ETC....

O conjunto de todos estes pontos BEM planejados, oferecidos e distribuídos proporcionalmente com qualidade e nos índices previstos pela ONU, as pessoas terão SAÚDE.

Alma sã. Corpo são!


Comentário, com algumas correções, publicado originalmente no Blog Saúde na Tela no post Doenças Negligenciadas e na minha página do facebook.

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