Araguari, 123 anos (parte 3)


1969 - 2010

            Nos anos de 1970, Araguari tinha uma população de 63.368* habitantes. A Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana Verde, marco inicial do município, foi totalmente reformada e ampliada tendo sua arquitetura construída por traços de modernidade.
            A economia da cidade foi marcada pelo programa de diversificação agrícola, que ampliou as oportunidades dos produtores rurais. Em 1971 inicia-se o plantio do Maracujá, tendo sido pioneiro na sua produção e um dos responsáveis pela vinda da indústria de sucos Maguary para a cidade, o Médico-Pediatra e Vereador da época o Dr. Sebastião Campos. O advento do café no cerrado ocasionou a vinda de diversos migrantes, principalmente paranaenses, que com manejo e investimentos conseguiram, ao longo do tempo, produção de um dos melhores produtos do país.

            No final dos anos de 1970 a delimitação da área central passou a ser avenidas Bahia, Batalhão Mauá e Minas Gerais, o setor concentrou a maioria das lojas e casas comerciais da cidade.
            Em 1972 é inaugurada a urbanização do Bosque John Kennedy.  O nome do bosque se deu em virtude da verba de urbanização ser doada por uma organização dos Estados Unidos.
Em 27 de março de 1973 a estação de passageiros da RFFSA, antiga Estação Goiás, foi desativada e os serviços de transporte férreo foram transferidos para uma nova estação, construída no final da Av. Cel. Belchior de Godoi.
            Os novos bairros criados, em sua maioria, apresentavam características distintas: eram mais afastados da área central e compreendidos por residências que apresentavam maior simplicidade.
Padre Nilo Tabuquini sacerdote que se destacou entre 1950 a 1970, devido às inúmeras obras de caridade que realizou no município. Natural da cidade do Rio de Janeiro ingressou na carreira religiosa e veio para Araguari, onde marcou seu nome no coração da comunidade local. Além de se dedicar à Igreja, desempenhou a função de diretor do Jornal Gazeta do Triângulo, por 20 anos. Faleceu em 14 de fevereiro do ano de 1979.
            No inicio dos anos de 1980 a população ultrapassava 83.523* habitantes e a construção da Usina Hidrelétrica de Emborcação nos limites do município fomentou novamente a migração, dessa vez, trabalhadores e suas famílias, tendo como consequência a implantação da Vila Gutierrez.
 Usina Hidrelétrica de Emborcação










             Com a desativação da Estrada de Ferro Mogiana na década de 1980 em Araguari, é iniciada a retirada dos trilhos e demolida a Estação da Mogiana no governo do então Prefeito Fausto Fernandes de Melo, e no seu lugar o Batalhão Mauá traça e urbaniza a então Av. Batalhão Mauá.
 Estação Ferroviária da Mogiana em 1942.


             No setor de melhoramentos foram construídos o Ginásio Poliesportivo Gen. Mário Brum Negreiros, o terminal Rodoviário Tancredo Neves e foi implementada a restauração do prédio da antiga cadeia e fórum para transformá-lo em Casa da Cultura.
            Em 1985 é instalada em Araguari a fábrica de sucos Dafruta no antigo prédio da CASEMG, na Av. Hugo Alessi, consolidando assim o bairro Industrial (hoje bairro dos Industriários).
A instalação do Conservatório Estadual de Música de Araguari em 18 de abril de 1985, atual Conservatório Estadual de Música e Centro Interescolar Raul Belém, possibilitou á população, a integração conceitual de vários segmentos da arte como a dança, a pintura, a música, com ênfase para instrumentalização e outros. Somente no ano de 2008 que foi autorizada a construção de sua sede própria na Praça da Constituição, antes, ocupava prédios alugados.
            A Lei Orgânica do município promulgada em 21 de abril de 1990 alterou a disposição dos Distritos, assim, ficou composto da Sede Araguari e dos Distritos de Santo Antônio, Contenda, Amanhece, Florestina e Piracaíba.  
Na década de 1990 a população avança chegando a 91.428* habitantes. São implantados os bairros Aeroporto Sul, Milenium e Flamboyant.
            Araguari perpassa conduzindo sua economia embasada na cafeicultura, dispondo de várias empresas agro-industriais, industriais e comerciais, além de estrutura natural propícia ao turismo ecológico e cultural.
            Entre grandes conquistas, Araguari vive um momento trágico no ano de 1991. Um crime causou grande repercussão na região porque a vítima era um padre que ajudava jovens viciados a se livrarem das drogas. Trata-se de Belizário Pinto Sobrinho, 67 anos, assassinado por um viciado em drogas. Preso, o acusado, Caio Márcio Morais, então com 19 anos, foi julgado e condenado a 29 anos de prisão. Por volta das 17h45 do dia 21 de setembro de 1991 a professora Aura de Oliveira Santos, 70, entra na casa de nº 173 da praça Pio XII, em Araguari, e encontra o corpo do padre Belizário Pinto Sobrinho. O padre morava nos fundos da residência da mulher. De acordo com a polícia, Belizário havia sido assassinado na madrugada com 44 facadas por todo o corpo.
            O Arquivo Público Municipal Doutor Calil Porto foi implantado em agosto de 1994, como parte integrante da extinta secretaria de Educação e Cultura devido à necessidade de busca e resguardo de documentos sobre o passado do município e de ações voltadas à sua conservação.
            Em 07 de março de 1996, recebeu por meio da Embratur o Selo do Município com o Potencial Turístico e o conhecimento dos patrimônios históricos e naturais e sua ânsia em preservá-los, resultou na criação do Departamento de Patrimônio Histórico que em parceria com o Arquivo Público Municipal Dr. Calil Porto, desenvolveu uma política de proteção e preservação dos bens patrimoniais do município.
            No final do século XX, no ano de 2000, a população de Araguari era de 101.974* habitantes e sua economia baseada no comércio, serviços, agro-indústrias, agricultura e pecuária e inicia-se a implantação do Campus Universitário com a chegada da UNITRI – Centro Universitário do Triângulo. É iniciada a restauração do prédio da Estação da Goiaz, que viria a se tornar, mais tarde, o Palácio dos Ferroviários.
Prédio tombado integrante do Complexo Regina Pacis onde funciona a Unipac – Foto 2007.


A instalação da UNIPAC – Universidade Professor Antônio Carlos, em substituição a antiga FAFI, no ano de 2001, com vários cursos de graduação, propiciou ao município um aquecimento em sua economia, gerando uma movimentação nos setores imobiliários, de serviços e de consumo.
            Em 28 de dezembro de 2004 é aprovado pela Câmara Municipal o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano do Município de Araguari. Inicia-se um novo paradigma para o planejamento urbano.

Em 2003 inicia-se a construção das Usinas Hidrelétricas Amador Aguiar I e II, conhecidas, também, como Usina Capim Branco I e II, no rio Araguari. Em dezembro de 2006 o Complexo é inaugurado pelo então governador do estado de Minas Gerais, Aécio Neves.
 
           Novos loteamentos foram aprovados: o Jardim Interlagos e o Portal do Cerrado marcam essa nova fase de expansão urbana em virtude do aumento populacional e da demanda imobiliária em plena expansão. Araguari já conta com 106.403* habitantes.
            No ano de 2006, foi inaugurado o Palácio dos Ferroviários, sede da Prefeitura Municipal de Araguari, no antigo prédio da Estação de Passageiros da Estrada de Ferro Goiás. Isso oportunizou uma revitalização de seu entorno que ficou abandonado após a desativação do prédio na década de 1970.  


            Nesse período Araguari se consolida como uma cidade universitária. A UNIPAC expande seus cursos e cria o curso de Medicina, trazendo a cidade estudantes de todos os rincões deste Brasil, gerando assim, uma nova expectativa de desenvolvimento econômico e urbano para a cidade.
            Em março de 2007 inicia-se uma nova fase da expansão urbana de Araguari com o inicio das obras de implantação do Jardim Interlagos I que terminam em dezembro do mesmo ano, próximo do terminal rodoviário no Bairro Miranda, sendo a iniciativa dos empresários Hermogênio Dorázio Jr. e Nicolau Dorázio, filhos de Hermogênio Dorázio e Silvana Dorázio.
            Em março de 2008 a Tenco Empreendimentos conclui as obras de infra-estrutura do Residencial Portal do Cerrado no Bairro Jóquei Clube.
No dia 2 de maio de 2008, aconteceu o lançamento do livro “Caminhos da Vida”, de Giordane Franklin e Maria Lúcia da Costa, cuja obra contém pequenos relatos e reflexões pelas quais a instituição Casa do Caminho em Araguari passou ao longo de seus 15 anos comemorados nesta ocasião.
O Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da antiga Estrada de Ferro Goiás é tombado pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural por solicitação do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – IEPHA/MG em 30 de junho de 2008.
Em julho de 2008 inaugura-se o Hipermercado Bretas: uma nova etapa do desenvolvimento econômico de Araguari que estará contribuindo para um novo perfil urbano e a consolidação comercial e de serviços da Av. Teodolino Pereira de Araujo.
Em 19 de agosto de 2008 a Fundação Educativa e Cultural de Araguari, tendo como presidente Celso Camarano, inaugura a TV Araguari, o primeiro canal de TV aberta da cidade com a implantação de moderna aparelhagem digital destinada a geração de programas locais e à retransmissão dos sinais da Rede Minas de Televisão. O projeto da TV Araguari foi iniciado em 1998 pelo empresário Oswando dos Santos Monteiro, falecido em 2007, mas não vingou até essa data.
Em 28 de agosto de 2008 Araguari completou 120 anos de emancipação político-administrativa.
Em 05 de outubro de 2008, Araguari elege o primeiro Engenheiro Civil da história para administrar a cidade. Marcos Coelho de Carvalho foi eleito prefeito com 41% dos votos válidos, juntamente com seu vice-prefeito, o Técnico em Segurança do Trabalho e Administrador de Empresas, Júberson dos Santos Melo.
No dia 10 de outubro de 2008 a empresa Maqnelson comemorou 50 anos de sua fundação em Araguari por Nelson Merola, um homem à frente de seu tempo por seu espírito empreendedor.
A sede própria do Ministério Público em Araguari foi inaugurada na noite  do dia 24 de novembro de 2008 a Av. Cel Teodolino Pereira de Araújo n° 585, nove meses depois do início das obras. O prédio foi construído em um terreno de 1.601 m², doado na gestão do prefeito Milton de Lima Filho, e teve um investimento de R$ 1.160.000,00 (um milhão, cento e sessenta mil reais). As novas instalações abrigam oito gabinetes, auditório, sala de audiência, banheiros também adaptados para portadores de necessidades especiais, sala de arquivo, cozinha, copa, estacionamento para 14 vagas e um moderno sistema de monitoramento de segurança 24 horas.
            Na tarde do dia 10 de dezembro de 2008, a sala de exposições do Palácio dos Ferroviários recebeu um privilegiado grupo de pessoas que participaram da entrega do primeiro prêmio “Amigos da Cultura”, concedido pelo Conselho Deliberativo Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural de Araguari sob a presidência do arquiteto e urbanista Alessandre Humberto de Campos em parceria com a Fundação Araguarina de Educação e Cultura (FAEC) sob a presidência de Cínthia Maria Costa.
            01 de janeiro de 2009: toma posse o prefeito, vice-prefeito e os 11 (onze) vereadores eleitos no pleito de outubro de 2008 para o período de 2009 a 2012.
            O Arquivo Histórico e Museu Dr. Calil Porto recebeu no dia 23 de janeiro de 2003, um importante acervo histórico doado pelos familiares de Antônio Brasil, figura importante no resgate da  história da Estrada de Ferro Goiás.
            Em 9 de fevereiro de 2009 na sede do 11º Batalhão de Engenharia de Construção – Batalhão Mauá, aconteceu a incorporação da primeira turma de alunos do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), que recebeu o nome de NPOR Mauá, bem como a inauguração das novas instalações do Núcleo.
            No dia 26 de abril de 2009 a Escola Estadual Raul Soares completou 100 anos de fundação em Araguari com relevantes serviços prestados funcionando em um prédio tombado pelo município situado a Av. Tiradentes.
            O antigo anfiteatro do Educandário Espírita foi reaberto na noite do dia 5 de junho de 2009 com a presença de um grande público, cuja solenidade foi conduzida por Públio Carísio de Paula que oficializou o novo nome do local: Teatro Professora Odette Machado Alamy. Durante o evento, o arquiteto e urbanista Alessandre Humberto de Campos apresentou o Projeto de Revitalização, Ampliação e Modernização do Educandário Espírita Professor Eurípedes Barsanulfo anexo ao Teatro Professora Odette, que possui uma área atual de 2.400 m², que passará a ter 6.250 m².
            Uma nova fase de expansão habitacional é marcada pelo inicio, no mês de julho de 2009, da construção de casas populares pelo Programa “Minha Casa, Minha Vida” do governo Federal e COHAB do governo estadual.
O Batalhão Mauá - 11º Batalhão de Engenharia de Construção completou no dia 29 de julho de 2009, 71 anos de sua criação. A comemoração ocorreu no dia 31 de julho de 2009 na sede da unidade, quando foram homenageadas várias personalidades locais que receberam o título de “amigo do batalhão”.
            Em agosto de 2009 inicia-se a inclusão digital do Distrito de Amanhece, quando foi instalado um Telecentro com 10 computadores e uma impressora que atende em torno de 120 alunos por dia.
            A Família de Antônio Fernando Peron Erbetta (1942/2009) publicou em um livro artigos de fatos históricos, personalidades, causos e acontecimentos passados no cotidiano de Araguari, uma coletânea do blog Ponto de Vista. O livro “Tempos Idos, Tempos Vividos”, editado pela Minas Editora, foi lançado em 22 de agosto de 2009, em uma manhã, na biblioteca Municipal.
            No dia 12 de dezembro de 2009, Edmar César Alves, escritor, tomou posse como titular da cadeira de número 16 da Academia de Letras do Triângulo Mineiro – ALTM – anteriormente ocupada por Ricardo Marques, cujo Patrono é Sandoval de Mendonça.
            Aconteceu no dia 28 de janeiro de 2010 no Ginásio Nadir Borges Brandão (Zebrinha) a cerimônia do 1º Casamento Coletivo de Araguari, realizado por meio do Projeto Sonho Realizado, quando 60 casais receberam o privilégio de oficializar a união gratuitamente.
            No dia 14 de junho de 2010 foram autorizadas as obras de duplicação da BR050 no trecho compreendido entre a cidade de Uberlândia, passando pelo perímetro urbano de Araguari até a divisa com o Estado de Goiás. Este foi o inicio da concretização do sonho dos Araguarinos que utilizam esta rodovia federal com freqüência.
            O mês de julho de 2010 é marcado pelo início da pavimentação das ruas de pedras de Araguari. Fato que gerou revolta por parte de algumas pessoas, pois consideram essas ruas como um patrimônio histórico, mesmo elas não sendo tombadas, mas reconhecem seu valor cultural.  A primeira via asfaltada pelo Batalhão Mauá, num total de 25 vias, foi a Av. Joaquim Aníbal e seu prolongamento até a Av. Minas Gerais, desde o Palácio dos Ferroviários. A relação das vias asfaltadas e o bairro a que pertence:
Antônio Camilo da Costa - Bairro do Bosque; Antônio Lemos da Silva - Centro; Argentina - Bosque; Avaré - Centro; Avenida Joaquim Aníbal - Centro; Bias Fortes - Centro; Coronal Filadélfio de Lima - Rosário; Coronel Lindolfo França - Centro; Coronel Póvoa - Centro; da Constituição - Centro; Tereza França de Lima - Centro; Dom Silvério - Centro; Doutor Alberto Moreira - Centro; Elias Peixoto - Centro; Gonçalves Dias - Bosque; Jaime Gomes - Centro; Josias Batista Leite - Bosque; Maricota Santos - Centro; Martinez Rodrigues da Cunha - Centro; Nader Cury - Centro; Natal Mujalli - Centro; Nilo Tabuquini - Centro; Paissandú - Centro; Pedro Moreira -  Santa Helena; Praça do Rosário - Rosário; Quinca Mariano - Centro; Raul José de  Belém - Bosque; Tamandaré - Centro; Travessa Elias Bittar - Centro; Travessa Timbiras  - Centro; e Uberaba - Centro. Além dessas, o trecho de acesso ao Distrito de Piracaíba, terra natal do prefeito Marcos Coelho.




            No dia 26 de julho, data de início da pavimentação da Av. Joaquim Aníbal, o engenheiro Carlos Ernane Vieira e o arquiteto Rogério Duarte realizaram uma ação isolada em protesto contra o asfaltamento das ruas pavimentadas com pedras, mas infelizmente, o movimento foi frustrado, tendo em vista que a população aprovou o asfaltamento em detrimento da preservação histórica e do valor cultural das ruas de pedras.
Neste dia o governo  sepultou a memória cultural de Araguari, bem como, fez durante toda sua gestão, sepultando, também, a memória ferroviária ao aterrar parte dos trilhos remanescentes da Estrada de Ferro Goiás, ao abrir a continuidade da Rua Luiz Shinnor, e descaracterizar prédios tombados no Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Estrada de Ferro Goiás para instalação de secretarias da prefeitura na gestão 2009-2012.

Trilhos remanescentes da Estrada de Ferro Goiás aterrados. Foto: Gláucio Henrique Chaves - 2010


 “As pedras falam...

Quero me somar ao Ernane, Rogério, João Marques e demais defensores das ruas de pedras. Há 43 anos moro na histórica “Rua Mauá" (grifo e aspas são propositais mesmo!), no bairro do Bosque, e desde sempre a conheço assim: de pedras.

Mas estas pedras são muito mais que simples pedras! Elas formam uma grande e aconchegante colcha de retalhos. Cada uma um retalho que, se unindo a outro e outro, guardam e mantêm vivas histórias presentes e passadas.

Me recordo como se fosse ontem: muitas sequer sonhavam existir. Muitas outras eram só poeira. Mas a Mauá não, ela era “calçada” e imponente! Nem por isso deixara de abrigar, em suas margens, singelas casas - como a que vivi por muitos e bons anos ao lado da Dona Tôca e de meus irmãos.

Como uma mãezona, acolhera a todos que optaram por nela viver ou simplesmente transitar. Sempre tratou a todos por igual. Entre aquelas pedras corri, brinquei . Sobre elas vi transitar cavalos, carroças, bicicletas, lambretas, motos possantes, cincas, fusquinhas e até Mercedes. E os eventos? De quantos fora ela um grande palco, a começar pelos comícios do arena e do manda-brasa, realizados na venda do seu João Claúdio ou perto do bar do Carlão, ambos de saudosa memória? E a quantos que com dor e pranto, levando seus entes queridos para a última morada, ela também afaga?

Por essas pedras vi passar grandes e pequenos caminhantes. Nelas estão cravados pedaços de nossa história, da história de nossa gente. É tão fácil perceber isso... basta ter um pouco de sensibilidade e observar os espaçamentos que há entre elas... certamente verão neles, pequenos clipes dessa história.

Ah, sim! As pedras falam!

É verdade que hoje esta importante e querida rua, anda um pouco cansada, vítima que é das grandes jamantas que nela seguem sem um senão sequer das autoridades! Mesmo assim em nada inveja as ruas cobertas pela massa asfáltica. Afinal, a colcha de pedras amortece a água que cai da chuva e carinhosamente a acolhe em seus entremeios. Já as “modernas” têm a chuva por inimiga, capazes de lhes provocar cortes profundos e nem sempre socorridos a contento...

Então como poderia eu e outros, da Mauá ou de outras ruas que querem mutilar, ter postura diferente? Como apoiar tamanha insensatez, que usa a modernidade como manto? Que nossa memória não nos deixe esquecer que um dia, sob o mesmo manto, destruímos ou mutilamos importantes edificações e monumentos históricos, dentre os quais a praça Manoel Bonito e o seu magnífico Coreto...

Será que vamos insistir em cometer erros que jamais poderemos reparar?”

Leilamar Costa – jornalista e orgulhosa moradora da Rua Mauá
Texto publicado no Jornal Gazeta do Triângulo em 03/08/2010
           
No dia 28 de agosto de 2010, Araguari completou 122 anos de emancipação política, e, durante esse período, nossa cidade ensinou a todos nós que ela não precisa ser comparada a nenhuma outra, pois tem identidade própria, tem história, tem raiz, tem disposição para avançar a passos largos, diante de todas as adversidades, buscando sempre dizer aos derrotistas que tem força para prosseguir no caminho do desenvolvimento com sustentabilidade e propiciando qualidade de vida a seu povo, pois é infinita como o AR, sublime como a ÁGUA e agradável como um sorRIso.

Conclusão
De 1840 a 1888, ou seja, 48 anos foram necessários para que, de freguesia Araguari se tornasse cidade. Como se pode observar, uma cidade não se nasce do dia pra noite. Para que a geração atual possa conhecer esse legado foi necessário um trabalho de registro histórico ao longo de todos esses anos, de preservação e manutenção do nosso patrimônio cultural.
De 1888 a 2010, ou seja, em mais de 122 anos foram construídos um legado, onde muitas pessoas contribuíram para que Araguari chegasse ao século XXI com uma identidade arquitetônica, urbanística e paisagística, bem como, política, empresarial, histórica, cultural e artística.
Entre essas pessoas destaca-se: Pe. Lafaiete de Godoy (deputado provincial); Tertuliano Goulart (presbítero); Achiles Widulick (engenheiro ferroviário); Prof.ª Odette Machado Alamy (musicista); Dr. José Jheovah Santos (prefeito); Luiggi Chiovato (imigrante italiano fazendeiro); Joaquim Aníbal (comerciante); Padre Nilo Tabuquini (religioso católico); Adolfo Carlos Carísio (construtor e líder espírita); Geraldo França de Lima (escritor); Júlio Erbetta (eletricista da Cia Prada); Dr. Calil Porto (primeiro cardiologista em Araguari), José Francisco de Campos (panificador); Realino Vieira Guimarães (pastor batista); Nephitali Vieira (farmacêutico); Geraldo Vieira (fotógrafo); Abdala Mameri (historiador); Luiz Nasciutti (industriário); Hermogênio Dorázio (industriário); Afif Rade (tipógrafo); Milton Lemos da Silva (prefeito); Milton Lima Filho (deputado); Dr. Sebastião Campos (médico pediatra); Romeu de Campos (taxista); Wanda Pieruccetti (professora); Antônio Fernando Perón Erbetta (advogado); Odilon Neves (radialista); Ney Montes Pinto (esportista); Marizete Nader (jogadora de futebol feminino); Latifa Cafrune (datilógrafa); Ronan Barbosa (contabilista); Euclides Luciano - Bim (jogador de futebol); Jofre Alves Martins – Patesco (vereador); Marlene Rodrigues da Cunha (primeira vereadora); Jheovah Bittencourt (poeta) e a família ferroviária representada aqui por Mário Nunes e Alaor Puga. Estes são os escolhidos para homenagear tantos outros araguarinos de nascimento e de coração, de inúmeras profissões, cores, raças e religiões que fizeram e fazem desta cidade uma “cidade surpresa”.


Fonte – Arquivo Histórico e Museu “Doutor Calil Porto” (Fotos e Dados Históricos)
            Sitio do Batalhão Mauá - http://www.btlmaua.com.br/index.html
            Blog Ponto de Vista - http://peron-erbetta.blogspot.com
            Jornal Gazeta do Triângulo
            Portal Mackenzie: http://www.mackenzie.br/10198.html. Acesso em 17/08/2011
            Jornal Correio de Uberlândia.
*Conforme dados do IBGE.      

Comentários

  1. Prezado Dr. Alessandre Campos.
    No mesmo seguimento dos grandes blogs, você veio iluminar detalhes importantes da história de Araguari. Portal informativo e de pesquisa em nível de excelência. Mostra o carinho
    que o senhor tem por nossa querida cidade. Parabéns pela criação e que possamos ler realizações de grandes empreendimentos nestas páginas.
    Hermogênio Dorázio Júnior. Empresário.

    ResponderExcluir
  2. [O Jazigo das Pedras]
    [Se as pedras falassem, não seriam pedras — é certo que as pedras não falam?]

    O que fazemos aqui neste sepulcro buliçoso,
    por onde trafegam veículos, animais e gentes?
    Antes, tínhamos voz no retinido das ferraduras,
    ou nas reverberações das serestas apaixonadas;
    em reflexos suaves, instilávamos nos espíritos insones
    a paz fria das noites de luar do Planalto Central;
    e nas manhãs neblinadas, rorejava em nosso dorso
    o orvalho das madrugadas — o choro da Noite!

    Passos... passos... incontáveis passos:
    dos trôpegos boêmios da noite,
    dos que partiam carregados de tristezas,
    dos que chegavam mortos de saudade
    ou daqueles que transportavam o ser amado
    até a última morada.

    Agora, para sempre nos silenciou
    este manto negro que nos cobre,
    este asfalto de informe e surda lisura!

    [Penas do Desterro, 12 de dezembro de 1998]

    "Por que, fora do lugar em que nasci, todo lugar é desterro" - eu, um araguarino distante

    ResponderExcluir
  3. Já não moro há muito tempo em Araguari, mas sempre vou à cidade sempre que posso. Na semana do Natal/2012 estive lá e fiquei estarrecida e muito triste com o que vi: ruas que eram calçadas com pedras, muitas contruídas pelo meu falecido pai, agora, foram cobertas com lâminas asfalticas. É de cortar coração. Não sei de quem foi essa ideia de jerico que não sabe valorizar a história da cidade. Derrubam prédios históricos, cobrem de asfalto as ruas de pararalepípedos. E o que mais vão destruir?

    ResponderExcluir
  4. Sim, é muito triste mesmo perceber que ainda hoje existem muitos que pensam que asfalto é
    sinônimo de "desenvolvimento" em cidades como Araguari-MG. É claro que tem seus benefícios, como quase tudo na vida tem seus prós e contras, mas em uma cidade que nem sequer tem seu esgoto tratado e o jogam "in natura" em um recurso hídrico de grande consideração, correndo o risco de poluir/contaminar irreversivelmente não só o solo mas o aquífero de abastecimento de toda a região, enquanto os "nossos representantes", "governadores", "planejadores", "políticos" desviam quantidades de dinheiro bem maiores do que o necessário para uma possivelmente já projetada, para "onde" e "como" todos já sabem? "Estão pensando mesmo no desenvolvimento da cidade!!!" (?) E bom... bastou a primeira chuva forte após o asfaltamento de certas áreas que deveriam ser preservadas para "presenciarmos e sofrermos" as consequências. O mais "interessante" é quererem adotar concepções, idéias, modos de vida, planejamentos, projetos, entre outros, de países desenvolvidos para uma cidade ainda de pequeno a médio porte, isso não é ruim, mas não o fazem com os devidos cuidados e adaptações adequadas e se tratando de Araguari esquecem o principal, a preservação histórico-cultural e natural, mantida até mesmo por países mais subdesenvolvidos ainda que o Brasil, as vezes profanando trabalhadores-lutadores, alguns 'in memoriam', cidadãos araguarinos, dignos de respeito.

    ResponderExcluir
  5. Olá Alessandre, tudo bem? Recentemente fiz um comentário, mas acredito que você ainda tenha
    que avaliar para liberar a publicação aproveito para dizer que gostaria de tirar algumas
    duvidas com você por email, precisaria de algumas informações para um projeto, mas não
    consegui encontrar seu email aqui na página, seria possível me passar? O meu é
    renataribeiroramos@ig.com.br

    ResponderExcluir
  6. Como gostaria de receber a foto do Sr.Nephitali Vieira, o meu pai Manoel Goncalves Vieira era seu primo e muito me falava dele.Grato

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Comentários Moderados.
Só serão publicados após aprovação do editor do blog.
Não serão publicados comentários de Anônimos, fora do contexto da postagem ou que utilizam de linguagem inadequada.

Postagens mais visitadas deste blog

Patrimônio Cultural Imaterial e Material

As vantagens do calçamento de pedras

Seu direito de IR e VIR é respeitado?