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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Video: Palácio dos Ferroviários - O Melhor de Minas

O Palácio dos Ferroviários foi vencedor do concurso cultural promovido pela Rede Integração/Uberlândia que realizou uma reportagem especial sobre esse nosso Patrimônio Cultural. Assista ao vídeo:

Fonte: Rede Integração/Uberlândia - CEDOC

sábado, 27 de dezembro de 2008

Vídeo - 1° Prêmio "Preservação Cultural"

Solenidade de entrega do 1° Prêmio "Preservação Cultural" em 10/12/2008 - Araguari/MG. Matéria veiculada no MGTV 1ª Edição - Rede Integração Uberlândia - em 11/12/2008


Fonte: Rede Integração/Uberlândia - CEDOC

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

UM ANO TERMINA E O OUTRO...

Palácio dos Ferroviários. Foto: Alessandre Campos. @ 2008.

Fim. Passou mais um ano na vida de cada um de nós.

Dezembro o mês do peru, do pernil, da uva, do vinho, do natal, dos presentes, do réveillon, dos fogos de artifício, da despedida, da tristeza, da alegria, das lembranças, do show do Roberto Carlos na Rede Globo, enfim, cada um vivencia este mês de acordo com sua sensibilidade.
Mas, o que tem este mês que faz com que as pessoas, até mesmo as mais duras, se sensibilizam e deixam correr por sua face uma lágrima solitária?

Como esse espectro vibracional do mês de dezembro implica no comportamento das pessoas?

No mês de dezembro, dentre vários acontecimentos, também ocorrem às previsões para o ano seguinte, tais como: uma grande personalidade brasileira morre; um grande terremoto ocorrerá em uma grande cidade mundial; novos vírus (programas espiões) são encontrados no Orkut; os Estados Unidos invadirão países inimigos em nome da paz mundial; a seleção brasileira se classificará para a copa do mundo; o Corinthians será campeão brasileiro de 2009 e o Vasco da Gama voltará para a série A do campeonato brasileiro, este blog chegará à marca de 1.000.000 de acessos individuais; o SBT não mudará seus programas de horário, enfim, tem previsão para todos os gostos, raças, classes sociais, profissões, signos zodiacais...

Muitos acreditam em previsões, outros mais ou menos, alguns dizem que não acreditam, mas... a curiosidade por saber algo relacionado ao amanhã está presente no âmago do ser mais cético do planeta.

Este mês, também, desperta os desejos, ou seja, reflexos instintivos, inconscientes para realizar algo. É muito comum em dezembro as pessoas se despertarem para ajudar o próximo ou o planeta: lavar a louça para a esposa no dia de natal; vestir de papai Noel e doar brinquedos para as crianças; ajudar a idosa a atravessar a rua; organizar o mutirão de limpeza do Córrego Brejo Alegre. Estas pessoas têm o desejo, mas será que tem a vontade?

A vontade é potencializar o desejo, torná-lo real com inteligência. Você tem desejo ou vontade? Pouquíssimas pessoas têm vontade. Uma dessas pessoas, diz à história que ela nasceu em dezembro, além de desejo, também, tinha e tem vontade. É o principal aniversariante do mês: Jesus Cristo. Ele nos ensinou a ter a essência do desejo do bem. Mas, só o desejo não basta, precisa despojar-se dos preconceitos e ter a vontade da prática do bem. Desejo é a necessidade, o combustível. Vontade é o motor, o que impulsiona para a prática, para a realização.

Enquanto muitos se impulsionam e se direcionam por meio das previsões ou das ilusões, ou seja, pelos desejos, outras pessoas se impulsionam pela sabedoria, pela fé raciocinada, pela vontade. O que irá diferenciar um ato do outro é o grau de evolução daquele que pratica.

O que muda do dia 31 de dezembro para o dia 1° de janeiro? Do ponto de vista lógico, nada muda, ou seja, um dia “termina” e “começa” outro. Porém, do ponto de vista, psicológico, o ato de mudar de ano desperta, tanto o desejo, quanto a vontade de que tudo será melhor no ano novo. Para que isso ocorra só depende de você, da sua vontade.

Como você analisa o ano de 2008 para sua vida? Foi um ano que tudo ficou na mesma, nada se realizou como você queria, ou seja, seus objetivos não saíram do campo do desejo; ou tudo foi maravilhoso, você alcançou tudo àquilo que planejou e sua vontade foi colocada em prática?
E em 2009, tenho certeza que será muito melhor ainda, pois sua vontade será de realizações, de sucesso e prosperidade, principalmente espiritual.

"É durante as fases de maior adversidade que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem a si mesmo e aos outros". (Dalai Lama).

video

sábado, 20 de dezembro de 2008

Araguari não é brinquedo de criança mimada

Vaidade: Qualidade do que é vão, instável ou de pouca duração. Desejo imoderado e infundado de merecer a admiração dos outros. Vanglória, ostentação. Presunção malfundada de si, do próprio mérito; fatuidade, ostentação. Coisa vã, fútil, sem sentido. Futilidade. Jactância, presunção." Dicionário Michaelis.

Fico abismado em ver que no jogo do poder a única coisa que predomina é a vaidade.

Primeiro, para causar inveja a outras pessoas por ocupar-se de um cargo, neste caso esquecem que o cargo é temporário, hoje estão, amanhã se vão, mas o que importa é esse momento de fantasia...

Segundo, por ostentarem e se vangloriarem que podem mais, fazem e desfazem passando por cima de todos e das leis...

Terceiro, por ganância em obter privilégios...

Quarto, pelo desejo de realizar algo que, supostamente, será reconhecido pelos outros e seu nome ficará gravado na história ou na estória, não importa, o que vale é aparecer...

Quinto, por ser hipócrita, ou seja, iludiu o povo, conseguiu o poder e agora... O povo e a cidade que se "explodam", fará apenas para si e para nutrir a sua arrogância.

Sexto, só se conhece uma pessoa de verdade quando a ela é concedido o poder...

Porém, no mundo das vaidades e das ilusões os mesmos que bajulam pela frente, apedrejam pelas costas.

Araguari não é brinquedo de criança mimada e nesse sentido temos que parar e refletir: valeu a pena optar por este e não por aquele outro?

O que percebo é o despreparo, a vaidade e a arrogância de alguns que pode macular a imagem de todos. Pessoas sem o mínimo conhecimento sobre algum assunto dizendo que vão fazer e desfazer, que isso tem que ser assim ou assado, ou seja, a sua verdade é a única. Já são donos da cidade. Pura e doce ilusão...

A sociedade deve ficar em alerta, assim como o Ministério Público Estadual, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – IEPHA/MG, o Instituo de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de Minas Gerais – CREA/MG, também, devem estar em alerta.

Mas, acredito que o bom senso irá prevalecer. A serenidade e a inteligência farão parte daqueles que terão a missão de administrar essa cidade pelos próximos quatro anos. E que Deus nos proteja.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Solenidade de Entrega do 1° Prêmio Preservação Cultural

Conselho Municipal de Patrimônio Histórico realiza primeira edição do Prêmio Preservação Cultural

O Conselho Deliberativo Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural de Araguari criado por decreto e autorizado pela Lei Municipal n.° 2.449 de 10 de abril de 1997, em conjunto com a Fundação Araguarina de Educação e Cultura, criou o Primeiro Prêmio “Preservação Cultural” do Município de Araguari, com a finalidade de reconhecer os relevantes serviços prestados à sociedade de Araguari, pelos diversos ícones vivos que de forma espontânea divulgam, preservam, resgatam, incentivam e produzem cultura local.

Em sessão ordinária realizada no Palácio dos Ferroviários, aconteceu a entrega dos troféus, selos e menções aos agraciados com a honraria que já nasceu como uma das mais importantes concedidas pelo Município de Araguari. O selo “Amiga da Cultura” foi concedido a empresas ou instituições que utilizam espaço de expressivo valor cultural de forma sustentável, além da “Menção”, registro de reconhecimento e valorização de pessoas que praticam, em seu próprio nome ou em nome de alguma empresa ou instituição, gestos espontâneos que divulgam, preservam, resgatam, incentivam e produzem cultura em nossa cidade.

A concepção das peças entregues como troféus, surgiu a partir da aprofundada pesquisa realizada constantemente pela Divisão de Patrimônio Histórico de Araguari sobre a identidade cultural da cidade, com o objetivo de se presentear os agentes preservadores da cultura araguarina como um elemento que a represente. Optou-se pelo uso de pregos que prendiam os trilhos nos dormentes, pois a experiência ferroviária vivida por nossa sociedade no final do século XIX e decorrer do século XX foi fundamental na construção deste ser araguarino. O troféu foi criado e produzido por Alexandre J. C. de Souza e Luiz Carlos Machado (Luizão).

Veja as fotos dos homenageados clicando aqui.
Fotos: Enivaldo Silva.

Leia na íntegra a apresentação do 1° Prêmio Preservação Cultural clicando aqui.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

1° Prêmio "Preservação Cultural"

Em 12 de Novembro de 2008 o Conselho Deliberativo Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural de Araguari, em reunião ordinária, com intuito de reconhecer os AMIGOS DA CULTURA de Araguari que valorizam a nossa identidade, CRIA em conjunto com a Fundação Araguarina de Educação e Cultura - FAEC, o 1° PRÊMIO “PRESERVAÇÃO CULTURAL” do município de Araguari.

O PRÊMIO tem por finalidade reconhecer os relevantes serviços prestados, à sociedade de Araguari, pelos diversos ícones vivos que de forma espontânea divulga, preserva, resgata, incentiva e produz cultura em nossa cidade.

A solenidade de entrega acontecerá no dia 10 dia dezembro de 2008, as 15 horas, na Sala de Exposições do Palácio dos Ferroviários, a Pç. Gaioso Neves, 129 - 1° andar, durante a reunião ordinária do Conselho Deliberativo Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural de Araguari.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Casa Colonial

Araguari, realmente, não é uma cidade histórica. Mas, nossos exemplares de patrimônio cultural são de causar inveja em muita gente...

Temos o nosso ícone principal, o Palácio dos Ferroviários - um dos mais belos prédios históricos do Triângulo Mineiro que acabara de vencer o concurso o “Melhor de Minas”, promovido pela Rede Integração.

Outro exemplar que merece a nossa admiração e valorização é a Casa Colonial da Pç do Rosário. Esta casa remonta do final do século XIX. Uma casa que foi do espólio de Etelvino Rodrigues de Souza e hoje pertence a família de Sinésio Peixoto de Mello, que realiza uma obra de revitalização e restauração mantendo viva a memória e as características de um tempo, impressas em cada um de seus ambientes.

De acordo com declarações dos proprietários, o principal motivo que os levaram a preservação da casa, foi pelo resgate das lembranças de infância do Sr. Sinésio, pelos laços de amizade e parentesco entre as famílias dele e do Sr. Etelvino.

Este resgate de um tempo em que tudo ocorria em outro ritmo é o resgate do relacionamento humano, do afeto e da religiosidade vivenciada, ou seja, é o resgate de nossa cultura. O valor imaterial desta casa é imensurável, pois estão agregadas a ele as tradições, as vivências, as lembranças, os sentimentos e, sobretudo, os sonhos.

Este é o resultado de que preservar a nossa cultura é estar investindo no desenvolvimento de nossa cidade e compartilhando os mais belos sonhos que não fazem mais parte de um único indivíduo, mas sim de toda a sociedade e, por este motivo, a Casa Colonial se transforma, também, em Patrimônio Cultural de Araguari.

O nosso reconhecimento a família do Sr. Sinésio Peixoto de Mello pela iniciativa de preservar este exemplar da arquitetura barroca e colonial de Minas Gerais e, sobretudo, um exemplar da cultura de Araguari.

Assista, também ao vídeo sobre a Casa.

Um novo modelo de administração

A modernização dos municípios brasileiros, visando à eficiência na gestão, arrecadação e gastos municipais, além de ser interesse público deve passar, também, pela ampliação da utilização de geotecnologias. Isso permitirá visualizar as necessidades onde elas ocorrem, sistematizando o processo de planejamento, onde, o gestor público terá condições de fazer uma análise integrada das informações nas diversas áreas de sua administração, podendo inter-relacioná-las.

As geotecnologias são o conjunto de tecnologias para a coleta, processamento, análise e disponibilização de informação com referência geográfica. Podem ser utilizadas em diversas áreas da administração pública com o apoio de diversas técnicas, como: Geoprocessamento: é o processamento dos dados obtidos com referências geográficas para serem utilizados por sistemas específicos de tratamento de informações espaciais; Sensoriamento Remoto: coleta de dados digitais (imagem), à distância, por um sensor; Aerofotogrametria: levantamento de dados de áreas e seu mapeamento físico-geográfico por meio de fotos aéreas do local; Sistema de posicionamento por satélite: coleta de dados por satélite, através de GPS (Global Positioning System) para obtenção de pontos geográficos relacionados ao objeto, com precisão de valores; SIG ou GIS (Geographic Information System): é o sistema de gerenciamento de dados gráficos e alfanuméricos georreferenciados associado a um banco de dados digital com a finalidade de produzir análises espaciais como instrumento a gestão urbana.

Dentre as várias aplicações de geotecnologias, destaca-se a sistematização dos processos de planejamento, aumentando a eficiência e transparência da gestão administrativa, territorial e da prestação de serviços públicos. Além disso, usa-se as geotecnologias para a construção e manutenção de dados que vai desde a geração da base cartográfica, passando pela criação da cidade virtual até o serviço de informação municipal disponibilizado ao cidadão, via internet.

Várias cidades já utilizam as geotecnologias em apoio à gestão urbana. Belo Horizonte utiliza no combate a criminalidade. Porto Alegre, para o gerenciamento administrativo e territorial. Aracaju faz o georreferenciamento de informações cadastrais e ainda gera a representação tridimensional da cidade. No estado de São Paulo, várias cidades utilizam geotecnologias para levantamentos ambientais, saneamento básico e transporte público, por exemplo.

A implantação e implementação de geotecnologias necessitam de uma mudança de cultura na gestão pública, demandando vontade política, recursos financeiros permanentes e difusão das geotecnologias em todos os setores do planejamento público. É necessário entender essas técnicas como ferramentas que possibilitam maior eficiência das ações e menor tempo de resposta na busca das informações, tornando os processos de gestão e planejamento atualizados, continuados e eficientes.

As geotecnologias podem ser utilizadas na área de planejamento urbano na cidade de Araguari/MG, concentrando informações de todos os setores da cidade que servirão de suporte a proposição de novas diretrizes quando da revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (2004) que será feita em 2013. Com a utilização de geotecnologias teremos subsídios para tomada de decisões em todas as áreas, principalmente, no parcelamento, uso e ocupação do solo; zoneamento urbano; transporte coletivo; sistema viário; geração da base cartográfica do município; zoneamento rural; segurança pública; educação; saúde; patrimônio cultural; saneamento básico; etc.

O custo da implantação de ferramentas de geotecnologias, principalmente de um sistema de informações georreferenciadas em um município, é baixo em relação aos inúmeros benefícios gerados em sua aplicação prática e possibilidades de inter-relacionamento das diversas áreas da gestão urbana.

Vislumbram-se novos tempos e uma esperança ressurge com um novo modelo de administração. Oxalá que neste modelo esteja inserido o sistema de informações georreferenciadas para dotar a cidade de instrumentos capazes de estabelecer o planejamento sob os princípios do dinamismo, eficiência e transparência com a utilização de informações georreferenciadas para a elaboração de projetos e execução de ações públicas baseadas nas diretrizes estabelecidas pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano.

Artigo publicado em 03/12/2008 na edição do Jornal Gazeta do Triângulo - Ano 72 - n° 7671- p.02. Opinião.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Palácios dos Ferroviários vence concurso

Terminou no fim de semana a votação para a escolha do “Melhor de Minas”. O concurso desenvolvido pela Rede Integração elegeu as melhores atrações de cada região de atuação do grupo. Confira os vencedores e sua votação:

Centro-Oeste: Igreja de Bom Despacho. 9.254 votos ou 97% dos votos.

Triângulo Mineiro: Palácio dos Ferroviários (foto), em Araguari. 3.219 votos ou 90% dos votos.




Zona da Mata: Arte Barroca. 473 votos ou 52% dos votos.
Alto Paranaíba e o Noroeste: Chafariz de Paracatu. 23.544 votos ou 90% dos votos.

A votação ocorreu por meio do site Megaminas.com.

A partir da semana que vem será apresentado no MGTV reportagens especiais contando a história dessas belezas regionais.

sábado, 29 de novembro de 2008

ICMs Cultural

No dia 20/10/2008 foi divulgado o resultado da pontuação provisória do ICMS Cultural/2009. Nosso município recebeu 14,0 pontos; nota máxima que poderíamos conquistar! Para se ter uma idéia, no exercício 2008 recebemos 12,50pts - que já era uma excelente nota [FAEC, 2008]e rendeu até outubro R$167.784,58 ao município. Para o ano de 2009 essa arrecadação poderá chegar aos R$ 300.000,00.

Para o novo Presidente da FAEC e sua equipe uma responsabilidade: manter a pontuação do nosso Patrimônio Cultural para que a cidade não perca verba de ICMS, que pela Lei Robin Hood leva em consideração vários fatores para a divisão dos recursos entre os municipios mineiros e, um destes fatores ou critérios é a pontuação sobre o Patrimônio Cultural.

A Lei Robin Hood é um incentivo aos municipios para preservarem seu Patrimônio Cultural, mas, se esta Lei não existisse, nossos governantes teriam interesse na preservação cultural?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

(De)Formação Cultural

Certo dia, encontrei um amigo... E, conversa vem, conversa vai, ele me disse que havia tirado umas férias e viajado a Europa. Perguntei-lhe quais os países ele visitou e o que mais o encantou. Ele me respondeu que havia feito um “tour” por Roma, Paris, Londres, Madri e Lisboa e o que mais lhe encantou foi à arquitetura dessas cidades. Em Roma ele ficou impressionado com o Coliseu. Paris com o Museu do Louvre, Londres com o Palácio de Buckingham, Madri com a Plaza Mayor e em Lisboa com a Torre de Belém.

A primeira impressão, me pareceu que esse meu amigo tinha um enorme interesse por Patrimônio Cultural ou estava querendo fazer uma média comigo por eu ser arquiteto tendo em vista que seu “tour” foi para conhecer as grandes obras que marcaram importantes períodos da história de cada um desses países e que se perpetuam no tempo como grandes marcos da cultura destes povos.

Continuando nossa “prosa” o indaguei sobre o porquê dele ter escolhido essas cidades e esses monumentos para o seu “tour”, quando fiquei perplexo da resposta que me deu. Sem rodeios ele me disse que fez o “tour” para “adquirir cultura” e que muitos dos seus amigos fazem essa viagem porque é chique.

Pela correria do dia-a-dia, tivemos que encurtar nossa “prosa”. Dispedimo-nos e seguimos nosso caminho.

Outro dia, volto a encontrar esse meu amigo em frente ao Palácio dos Ferroviários. Conversa vai, conversa vem... ele me disse que estava chegando de Ouro Preto e queria comprar um imóvel de estilo colonial em um ponto valorizado de nossa cidade para montar um restaurante e me perguntou o que eu pensava sobre isso. Dei a ele minha resposta, imaginando que o interesse dele seria utilizar esse imóvel de forma sustentável, ou seja, instalaria no imóvel seu restaurante, preservando e valorizando as características culturais dele e usaria isso como marketing para seu empreendimento. Quando de repente ele me interrompeu dizendo-me que não. Que a intenção dele é demolir aquela “casa velha” e construir um quiosque para servir lanches, mas por ser chique ele o chamaria de restaurante.

Na verdade fui surpreendido mais uma vez por esse meu amigo. Ele que vai a Europa e a Ouro Preto “adquirir cultura” visitando prédios de excepcional valor cultural para a sociedade daquelas cidades e, também, para a humanidade, quer destruir um prédio de excepcional valor cultural para a nossa sociedade em nome daquilo que é chique.

Perplexidade a parte, pode-se observar que o conceito de cultura das pessoas está totalmente deturpado. Na cidade dos outros ou nos países dos outros o Patrimônio é importante para “adquirir cultura” ou para o desenvolvimento econômico por meio do turismo cultural. Como uma propriedade privada, o imóvel de valor cultural não passa de uma “casa velha” e tem que ser demolido. Mas que cultura esse meu amigo foi adquirir na Europa ou em Ouro Preto se ele não conhece e muito menos reconhece a sua própria cultura?

Coliseu de Paris, Museu do Louvre, Palácio de Buckingham, Plaza Mayor e Torre de Belém estão para suas comunidades assim como está o Palácio dos Ferroviários para os araguarinos, Ouro Preto para os mineiros e Brasilia para os brasileiros, em termos de Patrimônio Cultural, sendo cada um destes exemplares, o marco de um tempo e a identidade viva da cultura desses povos.

O que diferencia sociedades desenvolvidas de sociedades subdesenvolvidas é a maneira com que as pessoas produzem, respeitam, preservam e utilizam sua cultura.

Respeitar, reconhecer, valorizar e preservar o nosso Patrimônio Cultural Material e Imaterial não é só chique como, também, é necessário para que as futuras gerações possam identificar no passado, a sua origem, seu modo de vida, suas tradições, seu comportamento, sua forma de agir e pensar para se projetar um futuro cada vez melhor e com qualidade de vida.

Como já disse Fernanda Montenegro um dia: "Nossa deformação cultural nos faz pensar que cabe a um segmento da sociedade levar cultura a outro. Nós temos é que buscar a cultura no povo, dando condições para que ela brote”.

Artigo publicado em 25/11/2008 na edição do Jornal Gazeta do Triângulo - Ano 72 - n° 7665 - p.02. Opinião.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Araguari - Patrimônio Cultural

Para 2008, Araguari obteve pontução de 12,50 do IEPHA/MG - Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico, de acordo com todos bens tombados no Municipio. Com essa pontuação a cidade teve repasse de ICMs para o Patrimônio Cultural, de Janeiro a Setembro, conforme tabela abaixo:

Janeiro: 15.261,38 - Fevereiro: 16.010,52 - Março: 14.495,11
Abril: 20.095,26 - Maio: 15.917,10 - Junho: 16.433,98
Julho: 16.891,73 - Agosto: 17.278,45 - Setembro: 17.965,29
Total: 150.348,82


Se Araguari não tivesse nenhum bem tombado, esses mais de 150 mil reais não entrariam no cofre da Prefeitura.

O repasse aos municipios é feito com base na LEI Nº 13.803, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2000 - Lei Robin Hood - acesse o link e confira na integra a lei:
http://www.fjp.gov.br/produtos/cees/robin_hood/

Patrimônio Cultural Imaterial e Material

A Unesco define como Patrimônio Cultural Imaterial "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural."
O Patrimônio Imaterial é transmitido de geração em geração e constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana.

O Patrimônio Material com base em legislações específicas é composto por um conjunto de bens culturais classificados segundo sua natureza nos quatro Livros do Tombo: arqueológico, paisagístico e etnográfico; histórico; belas artes; e das artes aplicadas. Eles estão divididos em bens imóveis como os núcleos urbanos, sítios arqueológicos e paisagísticos e bens individuais; e móveis como coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O Patrimônio Cultural - Quem é o Jacu?

Muitos dizem serem cultos e pertencerem a uma sociedade culta. Muitos se dizem entendidos de vários assuntos e chegam ao cúmulo de chamar outras pessoas de “Jacu” por discordar de suas opiniões ou costumes ou modo de vida. Que é “Jacu”? Que é cultura? Cultura se aplica somente aos Homens? Como reconhecer um Homem culto? Você se considera uma pessoa culta? Será que ser culto é apenas ler bons livros, falar e escrever em vários idiomas, viajar aos mais variados países, ir ao teatro, ser ator, autor, jornalista, radialista, apresentador de TV, professor, ter cursado um curso superior, ouvir bossa nova? Mas, vocês verão que até pra ser e chamar o outro de “Jacu” precisa ter cultura.

Para entendermos cultura precisamos compreender os fatores que contribuem para a existência de uma sociedade. Cultura está vinculado às sociedades. Sociedade pressupõe seres que compartilham a companhia de outros, tenham um idioma comum, leis ou regras de conduta, vivem em colaboração mútua em um mesmo meio geográfico e produzem seus meios de existência, ou seja, tenham seu modo de produção material e imaterial.

O modo de produção está diretamente ligado aos recursos naturais, os instrumentos para transformação da matéria-prima e o conhecimento, que constituem componentes artificiais no processo de criação das condições de vida em sociedade. Um modo de produção primitivo é aquele que aproveita o que o meio lhe oferece. O modo de produção capitalista é aquele submetido à vontade do patrão. Tudo que o homem produz é artificial e constitui seu patrimônio cultural.

Pois bem, o homem é um ser sociável e necessita desses componentes retirados da natureza, por meio de seus conhecimentos e da utilização dos instrumentos disponíveis, para produzir a sua identidade.

Cultura, genericamente conceituada, é tudo aquilo que o Homem produz para sua sobrevivência e relação com outros Homens e que pode ser transmitido aos seus sucessores.

O Homem se distingue de outros animais que vivem em sociedade por sua capacidade de ter e criar cultura, de integrar-se ao ambiente que vive, de reconhecer o passado histórico de seu grupo, de assumir relações sociais e de produzir para a sua existência.

Quando o Homem sabe utilizar dessas características para construir um ambiente artificial, permitindo continuamente, seu movimento de criação, transmissão e reformulação, está definindo sua identidade, sua herança, seu legado que perpetuará por gerações, constituindo assim seu patrimônio cultural.

Jacu (foto) é uma ave galiforme da família dos cracídeos, gênero Penelope, arborícolas, que possuem garganta nua com barbela vivamente avermelhada, especialmente nos machos durante o período reprodutivo; alimentam-se de frutas, folhas e brotos. A ave Jacu aparenta uma forma meio desajeitada possuindo comportamento desnorteado, sendo por isso, que pessoas com comportamento acanhado, inocente, sem malícia, que não segue a moda, que não sabe lidar com o dia-a-dia são rotuladas de Jacu pelos preconceituosos. A ave Jacu ainda vive no modo de produção primitiva, ou seja, utiliza o que a natureza lhe oferece. Então, podemos considerar, na verdade, que uma pessoa Jacu é aquela que não produz nada, sobrevive às custas dos outros por ser acomodado e fica grasnando para chamar atenção.

A cidade é um ambiente artificial produzido pelo Homem e constitui o patrimônio cultural de uma sociedade. O patrimônio cultural do Homem é tudo aquilo que ele produziu e adquiriu como conhecimento e experiências ao longo de sua existência.

O senso de preservação e conservação, além do respeito pelo patrimônio cultural de uma sociedade e de si mesmo, delineiam o Homem culto. Ler, viajar, saber outros idiomas, ouvir música, ir ao teatro, entre outras atividades são importantes para a formação do Homem. O produto desse conhecimento compartilhado será importante para a formação de uma sociedade culta. A união dos conhecimentos de uma sociedade produzirá o seu patrimônio cultural, que no âmbito de uma cidade, constitui o conjunto de bens móveis e imóveis de excepcional valor histórico, paisagístico, arqueológico, etnográfico, arquitetônico, bibliográfico ou artístico. A esse conjunto vamos dar o nome de PATRIMÔNIO HISTÓRICO.

O Homem que considera o Patrimônio Histórico como sendo um “problema” para o desenvolvimento de uma cidade, age dessa forma por falta de conhecimento, por não respeitar aquilo que seus antepassados produziram, ou seja, não reconhece no presente a sua própria origem, sendo assim, não possui nenhum legado para deixar as suas gerações futuras. É um ser que não se distingue de outros animais. É um ser que não produz nada de útil para ser compartilhado com a sociedade atual ou futura. Um ser que não pode ser comparado nem mesmo com a ave Jacu, pois a ave Jacu respeita e preserva o meio ambiente que ela vive.

Como pode um Homem autodenominar-se “culto” por ter viajado a Europa e ter conhecido Roma e Grécia se não conhece a identidade do lugar que nasceu; por ser brasileiro e falar inglês, italiano, francês, alemão e não entender o português; por ter lido “Os Lusíadas” (1576) de Luís Vaz de Camões e não saber a biografia do seu bisavô; por ter ouvido todos os discos da bossa nova e não saber respeitar o gosto musical dos seus semelhantes; por ter comprado um casarão antigo e o ter demolido com a justificativa de estar contribuindo para o “desenvolvimento” da cidade; por ter construído um arranha-céu com estilo hi-tech, mas não permite que seus filhos conheçam o estilo arquitetônico Barroco Mineiro; enfim, como pode ser culto o Homem que renega suas raízes?

Será que este Homem culto sabe o que é sustentabilidade e desenvolvimento? Será que ele sabe diferenciar conservadorismo de sustentabilidade? A ave Jacu aprendeu o que é sustentabilidade desde quando nasceu. O Homem culto é simples e humilde, não quer impor suas opiniões, pode até ser meio tímido e não ligar para a moda, porém, uma coisa é certa, ele tem identidade, tem origem e será lembrado por diversas gerações de uma sociedade culta.

Alessandre Humberto de Campos
- arquiteto e urbanista
- Pós-graduando em reabilitação ambiental sustentável, arquitetônica e urbanística pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília – FAU/UnB
- Membro do Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural de Araguari

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